Brasil é referência global em moda inclusiva

Olha só que exemplo bacana de prática consciente na moda, ainda pouco conhecida do grande público: a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência acaba de realizar a oitava edição do Concurso Internacional de Moda Inclusiva, que tem como objetivo gerar soluções de vestuário para o cotidiano de pessoas com deficiências físicas e mentais, público que representa aproximadamente 45 milhões de brasileiros.

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Modelo desfila com prótese customizada, ideia vencedora do terceiro lugar do concurso. Foto: Arquivo Roupartilhei

O evento aconteceu no último sábado (15), no Parque da Água Branca, em São Paulo e atraiu inscrições de aproximadamente 200 estilistas do Brasil e também países como Japão, Argentina, Irã, Chile, França, Itália, Índia e Canadá. O máximo, né? Segundo a idealizadora e coordenadora do evento, Daniela Auler, o projeto já se apresentou na Itália, a convite da Instituição Athlas, e foi noticiado pela Vogue italiana. O case é tido como pioneiro em todo o mundo.

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Modelo com deficiência visual desfila roupa que facilita sua locomoção. Foto: Arquivo Roupartilhei

Após o evento eu conversei rapidamente sobre a proposta com a Daniela. Veja o vídeo com o depoimento dela:

Os looks finalistas foram desfilados por modelos cadeirantes, com deficiência visual, síndrome de down, ou algum tipo de amputação, representando as diferentes necessidades especiais atendidas pelos projetos.  Na plateia estavam mais de uma centena de pessoas com variados tipos de deficiências – uma amostra real do interesse desse público pelo assunto.

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Modelo com look vencedor do desfile mostra funcionalidade da roupa para a banca de jurados. Foto: Arquivo Roupartilhei

Os looks, muito aplaudidos, tiveram como foco os conceitos de autonomia, conforto e auto-estima e tiveram suas adaptações narradas pelos cerimonialistas.

Velcros, fechos magnéticos e zíperes estratégicos que permitem a “abertura total” de camisas e calças; proteções acolchoadas contra colisões; ganchos para segurar bolsas e bengalas; etiquetas em braile; modelagens que evitam atrito com áreas de amputação e próteses com detalhes decorativos, foram alguns dos diferenciais apresentados. A modelo Carol Custódio comentou alguns detalhes da roupa que usou no desfile:

O concurso contou com uma banca de jurados integrada por profissionais de destaque como a pesquisadora e autora do livro “Moda e Sustentabilidade – Uma reflexão necessária”, Lilyan Berlim, e o estilista e professor da Faculdade Santa Marcelina, Mário Queiroz. Os jurados escolheram três projetos vencedores segundo critérios de adequação ao tema, pesquisa, desenvolvimento e inovação, criatividade, estilo, linguagem de moda e ficha técnica. Veja aqui o depoimento do Mário Queiroz:

 O vencedor do primeiro e segundo lugares (arrasou!) foi o estilista da Cru Customização, Eduardo Inácio Alves. Ele apresentou dois looks voltados para cadeirantes, compostos por uma jaqueta com detalhes em retalhos de calças jeans, camisetas oversized com aberturas nos ombros e calças com cós ergonômico e aberturas laterais.

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Vencedores do concurso. Foto: Arquivo Roupartilhei

 A cereja do bolo foi a colocação de mini-placas solares (que funcionam mesmo) nas costas das jaquetas, para favorecer a “autonomia energética” do cadeirante. Veja o depoimento do Eduardo e mais alguns detalhes do look vitorioso na ficha técnica do projeto:

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Eduardo recebeu diversos prêmios legais, como uma máquina de costura Singer e metros de tecido Vicunha. Outro destaque do evento foi a veiculação do mini-doc #Meu Corpo é Real, uma produção emocionante, idealizada pela estilista e cadeirante Michele Simões, sobre os backstages de um ensaio fotográfico com três personagens, com diferentes tipos de corpos “que a mídia não costuma contemplar”.  Veja o vídeo:

Ao lado do espaço do desfile, aconteceu o Mercado MoDe, que reuniu algumas marcas com pegada sustentável, além do Vestindo Bem Ateliê, iniciativa especializada em moda inclusiva.

Nos dois dias que antecederam o desfile, aconteceu no Shopping Bourbon a etapa de palestras do evento, chamada de MoDe – Moda e Design: Economia, Inovação e Sustentabilidade. Passaram por lá profissionais como André Carvalhal e Flávia Aranha, para discutir moda e design inclusivos, no contexto do tripé temático sugerido. Parabéns aos envolvidos! Um outro olhar é preciso!

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*é importante destacar que o movimento de inclusão na moda diz respeito também a outros grupos representativos, como o plus size, os transgêneros, etc, mas que não constituem o foco desse evento em específico. 😀

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