‘Moda + sustentável na prática’ ✄ O boom das trocas de roupa

Nesse post a protagonista é a troca, essa linda, que há várias décadas virou um ótimo motivo de encontro entre amigxs e familiares e permite dar uma boa renovada no armário.

Hoje em dia, com a necessidade urgente de pouparmos recursos naturais, evitarmos a geração de lixo e convivermos com mais qualidade, as iniciativas participativas que estão surgindo cumprem um papel socioambiental importante e ganham status de movimento de base.

Um exemplo bacana e que ganhou bastante escala é a iniciativa paulistana Trocaria, criada em 2015.  Agora em agosto eles realizaram um evento grande no Parque Ibirapuera, durante a Virada Sustentável, atraindo cerca de 250 “trocadores”. A equipe contou com 18 colaboradores voluntários, número parecido com o das feiras passadas, que aconteceram no Centro Cultural São Paulo e no Pitico.

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Trocas rolando no parque. Foto: Arquivo Roupartilhei

No melhor estilo “freeganista”, o Trocaria não cobra entrada e para participar é o seguinte: ao chegar no evento você leva suas peças para o balcão de curadoria, onde a equipe checa a qualidade delas e entrega uma quantidade de fichas equivalente ao valor estabelecido para cada categoria.

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Você então entra no espaço das araras, onde suas peças também são penduradas, e lá pode escolher quantos itens forem relativos ao seu número de fichas. Depois é só retornar com as escolhas no balcão da equipe, onde eles confirmam a equivalência de fichas e dão o ok nas trocas. Simples e eficiente!

Ah, o que não for aprovado para trocar ou o que sobrar é encaminhado para instituições de caridade. Isso em geral é feito por todas as iniciativas.

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Maitê e Ana no evento do Ibira. Foto: Arquivo Roupartilhei

A designer Maitê Hotoshi, umas das idealizadoras do Trocaria, contou que o projeto está buscando patrocínio, e a ideia é fazer um novo evento antes do Natal: “Uma edição de desapego do ano que passou”. O Trocaria chegou a promover ações de troca diretamente pelo Instagram com a hashtag #maisamormenosroupa, uma ideia super inovadora.

A consultora de estilo e responsável pelo blog Hoje vou Assim Off, Ana Soares, esteve no evento do Ibira como voluntária, ajudando o pessoal a criar composições bacanas, e eu conversei um pouco com ela sobre o mood da cena de trocas:

Com intenção similar e formato um pouco diferente, a Trocaderia, também de São Paulo, já organizou cerca de 15 eventos desde 2014. Vários locais bacanas estão no itinerário da iniciativa, como a feira Jardim Secreto no MIS, a Casa TPM e a House of Bubbles. São cobrados R$15 de entrada para a contribuição com as despesas, e as trocas são realizadas na base do bom e velho “conversê”.

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Uma das muitas artes lindinhas e significativas da Trocaderia. Foto: Divulgação Trocaderia

Segundo a redatora de moda Isabela Mantovani, co-fundadora da iniciativa, “o ato é pessoal” e cada acordo tem sua forma de acontecer.  “As pessoas conversam entre si para saber se a troca é bem vinda pelas duas (ou mais) partes. Não acreditamos em preço dos itens, e sim, em valor. Só o dono sabe o que aquela peça representa para ele e toda sua história, independente do investimento inicial nela.”

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Edição da Trocaderia em 2015, na House of Bubbles, em Pinheiros. Foto: Divulgação Trocaderia

A Isabela organiza a Trocaderia em parceria com a diretora criativa Nathália Capistrano, e elas chegaram a realizar um evento com proposta experimental, focado na troca de peças Plus Size. A edição, segundo ela, mostrou que por enquanto o ideal é manter todxs juntxs e misturadxs. “Temos meninas de petit a plus que frequentam o evento e adoram as trocas, isso é muito legal. Foi uma experiência para entendermos melhor nosso público”, explicou.

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Trocaderia de julho desse ano, no Alberta. Foto: Divulgação Instagram Trocaderia

A proposta de autoconhecimento e resgate da memória afetiva das roupas é um viés poderoso que está sendo valorizado nessa onda. Uma iniciativa que tem essa abordagem no DNA e conta inclusive com uma metodologia para mediação de conversas é o Brechó de Troca, organizado há quase oito anos em Porto Alegre, pela psicóloga e consultora de estilo Helena Soares.

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Roda do Brechó de Troca, em Porto Alegre. Foto: Divulgação Brechó de Troca

Os encontros são realizados mensalmente e reúnem até 12 pessoas, que sentam-se em roda e podem levar até 20 peças. Após a abertura do encontro, feita por Helena, os participantes se apresentam e mostram suas peças, uma a uma. Segundo ela, ao final da roda “todos já viram tudo de todos e podem começar a trocar. Além de terem visto, houve a oportunidade de perguntar algo e ver que essa peça tem uma história”.

Ela explicou ao Roupartilhei que dentro desse exercício livre, o “limbo” é a única regra vigente: “se eu e tu gostamos da peça da Maria, nós vamos deixar essa peça de lado e ela será trocada paralelamente, ou só no final do encontro, de modo que nós possamos olhar umas nos olhos das outras, e a Maria é quem vai decidir; se troca com uma, com outra ou ainda com uma terceira pessoa. É uma responsabilidade do sujeito.”

Helena abre cada encontro expondo informações com perspectivas diferentes, como cultura, história da moda, mercado de arte ou de consumo e a atuação de estilistas como Ronaldo Fraga e Vivienne Westwood. Atualmente são cobrados R$20 pela entrada.

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Helena à esquerda, durante troca-troca no evento que organiza. Foto: Divulgação Brechó de Troca

Helena também facilita as trocas para empresas, especialmente em datas comemorativas, como o Dia Internacional da Mulher. “Pode ser uma demanda de RH da empresa, para gerar entendimento entre as pessoas, ou por uma necessidade de agregar conteúdo de sustentabilidade”, explica. Ela ainda fornece aulas sobre o mercado de brechós e participa de um coletivo que discute o crescimento e a importância desse nicho.

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Flyer da iniciativa. Foto: Divulgação Brechó de Troca

Já em outro canto do país, em Recife, a empresa Lixiki, que é super engajada na gestão de materiais reciclados, organiza o projeto Gambiarra de Vestir, focado na troca e upcycling de roupas. Em maio desse ano rolou uma edição de troca e transformação de peças para serem presenteadas no Dia das Mães. Saiba mais aqui.

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Arara de trocas em evento da Lixiki. Foto: Divulgação Facebook Lixiki

Agora, se você mora em uma cidade que não possui nenhum encontro parecido, sugerimos algumas opções: chamar a vizinhança e começar já, na casa dx amigx ou naquele salão de festas disponível; conectar-se ao grupo do Facebook Troca de Moda, e encontrar vizinhxs e interessadxs por lá; baixar o app Tradr, que já está promovendo trocas de todos os tipos pelo país e virando referência em consumo consciente; ou então, esperar um tantinho o lançamento do Roupa Livre App, iniciativa do movimento Roupa Livre, e falar #prazamiga baixar.

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Conhece mais iniciativas públicas acontecendo regularmente? Cadê a força carioca, gente? Comenta aqui, no nosso Face, lá no Inxta, e no Mapa da Mina e vamos engrossar o caldo das trocas maravilhosas em nosso país!

Até o próximo post da série!

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*foto de capa: ilustração de Michelle Volansky para divulgar a feira de trocas Plus-Size promovida pelo blog americano PNW Fattitude.

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