A Nova Era do jeans ✄

Alguma dúvida de que já existem calças jeans suficientes no mundo para vestir umas duas gerações inteiras? E quanto as pilhas que estão nesse minuto nas prateleiras de lojas + araras de brechós + as peças que chegaram inteirinhas a aterros e lixões? Pois é.

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Visual comum em diversas lojas que conhecemos e compramos. Ou costumávamos comprar. Foto: thejeansblog.com

Só para pintar mais o quadro, uma notícia dessa semana, compartilhada pela Mari Pelli do Roupa Livre, anunciou que a China acabou de negociar 41 milhões de fardos de algodão – aparentemente importados da Índia – para fabricar roupas e…calças jeans.

A matéria fez uma estimativa de que todo esse algodão seria suficiente para produzir 9 bilhões de calças! Ou seja, vestiriam o planeta todo, novamente, e ainda sobraria tipo…mais de 1 bilhão e meio delas (sendo essa a estimativa de quantas calças são compradas no mundo todo, por ano).

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E olha que estamos falando apenas sobre a quantidade potencial de resíduos têxteis no planeta, pois ainda podemos contabilizar o impacto dos dez mil litros médios de água limpa e os litros de agrotóxicos usados no cultivo do algodão, necessário para uma calça, além do despejo dessa água contaminada por tinturas e metais pesados de volta ao ambiente. Ah, e temos também as emissões causadas pela logística desse material todo!

A notícia final é que, certamente, nós ainda vamos comprar pelo menos uma peça jeans ao longo de nossas vidas. Por tudo isso, iniciativas de reuso de jeans como as marcas cariocas recém-criadas Think Blue Upcycled e Mig Jeans, cumprem um papel MUITO importante na ressignificação do mercado de moda atual.

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Mirella ao lado do display “blue” da sua marca. Foto: Arquivo Roupartilhei

A Mirella Rodrigues é designer de moda, e começou a idealizar a Think Blue ainda na faculdade, há dois anos. Após muito estudo e experimentação em seu “apêliê” em Copacabana, ela acabou de fazer sua estreia no cenário de feiras alternativas do Rio. Primeiro aterrisou na feira EcoEra, no Jardim Botânico, e dias atrás no O Cluster, na Glória.

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Peças da Think Blue, no flyer da marca. Foto: Divulgação Think Blue

Nas araras da Think você encontra calças, shorts, saias, vestidos e tops cropped super estilosos, feitos da desconstrução de peças de segunda mão, que ela compra em bazares de igreja ou recebe por doação de amigos. Eu conversei com a Mirella sobre a importância e os desafios de uma a iniciativa como essa. Ouve só:

A técnica utilizada na Think é o upcycling de recortes obtidos das peças originais descosturadas. Ela usa mais de uma peça para compor um top cropped, por exemplo, por isso o visual acaba lembrando um patchwork, embora essa não seja a técnica utilizada. Eu curto bastante as costuras mais geométricas e o contraste na tonalidade dos jeans usados.

A marca já tem seu primeiro editorial fotográfico – a locação escolhida foi o Morro da Conceição, no Centro do Rio – e o site da marca está saindo do forno. Tudo para bombar!

Isa Maria Rodrigues, Luana Depp e Mayra Salles são as meninas da Mig Jeans, marca que vem “causando” nas bandas da Zona Norte com a customização e transformação de peças, feitas em um ateliê próximo a Madureira.

Elas tentam aproveitar ao máximo as modelagens originais, mas alteram recortes na medida da necessidade – e da criatividade do momento, claro. As etiquetas das peças são feitas com os retalhos que sobram, e elas chegaram a fazer experimentos com limão para os efeitos de lavagens nas roupas. Em eventos, elas realizam oficinas de customização onde ensinam na hora a cortar, desfiar e aplicar tachas.

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Fotos: Divulgação Mig Jeans

A Mig aceita encomendas de peças mais trabalhadas, com caráter exclusivo e oferecem descontos aos clientes que doarem peças. No meio do ano passado, as peças da Mig serviram de figurino para o desfile de uma formatura na escola de modelos School Models, em Niterói. E já foram convidadas para produzir outra formatura em maio.

Segundo Isa; “o jeans é uma peça versátil pois ele permeia diferentes épocas, idades, gêneros, classes sociais e estilos. Levando isso em conta, nós vimos a possibilidade de trabalhar empoderando diversos públicos, atingindo desde os que não costumam consumir peças mais sustentáveis, até as pessoas  que já tem essa consciência.”

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Luana e Isa Maria, após darem palestra sobre a Mig na semana da Fashion Revolution, no IED-Rio. A Mig também esteve na feira EcoEra. Foto: Arquivo Roupartilhei

Lindas né? E o mais legal é que ambas as marcas trabalham com calças de cintura alta e croppeds. Nada mal fechar o ciclo com uma pegada fashion desse jeito 😉

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