A Fashion Revolution Week no Rio ✸

A primeira edição carioca da Fashion Revolution Week foi inaugurada no domingo (17), no Instituto Eixo Rio, em Botafogo, e as atividades seguiram ao longo da semana no IED-Rio, na Urca. Cerca de duzentas pessoas passaram pelos quatro dias de atividades, número considerado ótimo pela organização, levando em conta as agitações políticas que aconteceram nesse período.

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Entrada do Instituto Eixo Rio, em Botafogo. Foto: Divulgação Fashion Revolution Rio

A oficina “Tessituras do corpo: modelagem, ervas e intuição” abriu o evento no domingo e foi seguida pelas mesas de debate “O papel da moda: expressão, experimentação e empoderamento”; “Ressignificando a moda: consumo e descarte” e “Um novo olhar para o mercado”.

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Prática na oficina Tessituras do Corpo. Foto: Fashion Revolution Rio

Representantes de iniciativas como a Mutações, Re-roupa, Atelier De Gang, Instituto E e Sistema B estiveram presentes nas conversas e discutiram tópicos como a sensibilização do consumidor através da comunicação transparente, o consumo consciente como ato político e o fortalecimento da rede de moda consciente através da cooperação entre todos os elos da cadeia: empresas + ONGs + comunidades + consumidores.

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Roda de conversa durante a oficina “Tessituras do Corpo”. Foto: Divulgação Fashion Revolution Rio

No segundo andar do Instituto Eixo Rio rolou uma exposição de roupas feitas a partir da reutilização de tecidos e com reformas baseadas na alta costura. Ao final do dia aconteceu uma exibição open air de curtas-metragens sobre os impactos da produção e consumo na indústria da moda.

Eu daria destaque ao curta “Unravel (2012)“, sobre a cidade de Panipat, na India, que apesar de ser uma localidade muito pobre, é uma referência global de gerenciamento de resíduos têxteis.

Na segunda-feira, já no IED-Rio, rolou o bate-papo “Moda x Arte: A roupa como performance”. Na terça o tema da conversa foi “Novos Caminhos para a Moda: reaproveitamento e negócios sociais” – que teve a presença das marcas recém-criadas Odyssee, Par, Mig Jeans e Bossa Social.

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Jéssica Unikowski apresenta a marca Par, que por meio das vendas de um modelo de sapato ajuda o projeto Cardume de Mulheres. Foto: Fashion Revolution Rio
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Apresentação da marca Odyssee pela fundadora Fernanda Nicolini, que reutiliza resíduos eletrônicos de computadores e outros componentes para elaborar bijouterias. Foto: Arquivo Roupartilhei

Nesse dia aconteceu também o workshop “Estamparia Criativa”, onde foram usados moldes artesanais, bem no estilo DIY. Na quarta-feira e último dia, a conversa foi sobre “Luxo inteligente” e o workshop “Narrativas possíveis da sustentabilidade: um olhar antropológico sobre moda, repertório e cidade”, fechou o evento.

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Eu segurando a plaquinha com o questionamento-chave do movimento: “Quem fez minhas roupas?”. Foto: Arquivo Roupartilhei

O coordenador do curso de design de moda do IED-Rio, Luíz Wachelke, contou que a aproximação com o Fash Rev começou no ano passado, quando a escola recebeu uma palestra pontual sobre o movimento: “Nesse ano abrimos as portas para o que eles precisassem e contribuímos com algumas indicações. Nos envolvermos com o Fashion Revolution foi muito natural porque questões como sustentabilidade e o comportamento das pessoas em relação à moda sempre foram muito importantes para a gente.”

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Patricia Sant’anna e Luíz Wachelke, que fizeram parte da equipe de organização do evento, no IED-Rio. Foto: Arquivo Roupartilhei

A conclusão geral de Patricia Sant’anna, integrante da organização e mediadora das atividades, foi de que a maioria do público presente já estava familiarizado com os temas e buscava fortalecer essa visão:  “O retorno das pessoas foi ótimo. A colaboração e o coletivismo se tornaram o norte do movimento. Meu desejo agora é realizarmos o evento em lugares que as pessoas não façam ideia do que estamos falando.”

Lembrando que o Fashion Revolution Day, que originou a Fashion Revolution Week, acontece amanhã, no dia 24 de abril. Nessa data serão completados três anos do desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, que vitimou mais de mil trabalhadores da indústria têxtil, mantidos em condições precárias. A partir desse episódio, as estilistas Carry Somers e Orsola de Castro criaram na Inglaterra o conceito do Fash Rev, que a cada ano ganha mais engajamento.

Que tal vivermos a moda com espírito revolucionário, o ano inteiro?

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